segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Elvis e Eu

II CAPÍTULO


...Já estou indo!-berrei.
Tentei enfiar a chave na fechadura,mas a mão não parava de tremer.Acabei conseguindo entrar,peguei o fone e gritei:
-Alô?Alô?
Por um instante,escutei apenas o zumbido da ligação interurbana, logo seguida por uma voz débil e abalada:
Cilla,sou eu,joe.
-O que aconteceu,Joe?
-É Elvis.
-Oh,Deus, não diga nada!
-Ele está morto,Cilla.
-Não me diga isso,Joe!Pelo amor de Deus!
-Nós o perdemos.
-Não!Não!Supliquei para que ele retirasse aquelas palavras,mas Joe permaneceu em silêncio.Só depois de algum tempo é que ele repetiu:
- Nós o perdemos...Ele não pôde continuar e ambos começamos a chorar.
-Joe,onde está Lisa?
-Ela está bem.Ficou com a avó.
-Graças a Deus! Joe,mande um avião me buscar,por favor.O mais depressa possível. Quero ir para casa.Enquanto eu desligava,Michelle e mamãe,que haviam acabado de chegar me abraçaram e ficamos chorando.Poucos minutos depois o telefone tornou a tocar.Por um instante,esperei por um milagre; estavam ligando para informar que ELVIS ainda estava vivo,que estava tudo bem,que tudo não passara de um pesadelo.Mas os milagres não passara de um pesadelo.Mas os milagres não existem e ouvi a voz de Lisa pelo telefone:
-Mamãe,mamãe!Alguma coisa aconteceu com papai!
-Sei disso,Baby-sussurrei.-Já estou indo para aí. Um avião vem me buscar.
-Todo mundo está chorando,mamãe.Eu me senti impotente.O que podia dizer a ela?Não podia sequer encontrar palavras para confortar a mim mesma.Temi pelo que ela poderia estar ouvindo.Ainda não sabia que o pai morrera.
Só podia lhe dizer,várias vezes:
-Estarei aí o mais depressa possível. Procure ficar no quarto de vovó,longe de todo mundo.Ao fundo,eu podia ouvir a voz trêmula de Vernon,em murmúrios de agonia:
-Meu filho se foi!Oh,Deus,perdi meu filho! Felizmente a inocência de uma criança lhe proporciona uma proteção.A morte ainda não era uma realidade para Lisa.Ela disse que sairia para brincar com Laura,sua amiga.Desliguei e comecei a andar de um lado parap o outro,ainda atordoada pelo choque.A notícia logo chegou aos meios de comunicação.Meus telefones não paravam de tocar,com amigos tentando absorver o choque,pessoas da família querenda explicações e a imprensa exigindo declarações.Fui me trancar no quarto e deixei instruções que não queria falar com ninguém,queria permanecer sozinha.Para dizer a verdade,eu queria morrer.O amor é muito enganador.Embora estivéssemos divorciados,Elvis ainda era uma parte essencial na minha vida.Durante os últimos anos nos tornáramos bons amigos,reconhecendo os erros cometidos no passado e começando a rir de nossas imperfeições.Agora,eu não era capaz de enfrentar a realidade de que nunca mais tornaria a vê-lo vivo.Elvis sempre estivera ali,ao alcance.Contava com ele,assim como ele contava comigo.Tínhamos um vínculo profundo.Éramos mais íntimos agora,tínhamos mais compreensão e paciência um com o outro,do que durante a vida conjugal.Até falávamos em algum dia... E agora ele estava morto.Lembrei de nossa última conversa pelo telefone,apenas poucos dias antes.Seu ânimo era o melhor possível e me falou da excurção que o coronel,como sempre,espalhara seus cartazes pela primeira cidade do itinerário e que seus discos estavam sendo tocados constantemente,no preparativo para o espetáculo.O velho Coronel não é de brincadeira-comentara Elvis...(continua)
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