domingo, 11 de julho de 2010

Elvis e Eu - X Parte

...-Ora,ora,o que temos aqui?-disse ele.
Não falei nada.Não podia.Só tinha condição de fitá-lo fixamente.
-Elvis-disse Currie-,esta é Priscilla Beaulieu.A garota de quem lhe falei.
Trocamos um aperto de mão e ele disse:
-Oi.Sou Elvis Presley.
Depois,houve um silêncio entre nós,até que Elvis convidou-me a sentar a seu lado e Currie afastou-se.
-Está na escola?-perguntou Elvis.
-Estou.
-E está no começo ou no final da escola secundária?
Corei e não respondi,não querendo revelar que estava apenas no nono ano.
-E então?-insistiu Elvis;
-Estou no nono.
-Ele ficou confuso.
-Nono o quê?
-Nono ano-balbuciei.
-Nono ano!-exclamou ele,rindo,-Ora você não passa de uma criança!
-Obrigada-respondi,bruscamente,pois nem mesmo Elvis Presley tinha o direito de falar assim.
-Parece que a garotinha não é facil-comentou ele,rindo de novo,divertido com a minha reação.
Elvis me presenteou com o seu sorriso encantador e todo o meu ressentimento se derreteu.

Elvis me presenteou com o seu sorriso encantador e todo o meu ressentimento se derreteu.
Conversamos mais um pouco.Depois,Elvis levantou-se,foi para o piano e sentou-se.A sala ficou em silêncio.Todos os olhos se fixaram nele.
Elvis cantou "Rags to Riches" e "Are You Lonesome Tonight?" e depois,com amigos cantando em harmonia,"End of the Rainbow".Também ofereceu uma interpretação de Jerry Lee Lewis,Martelando as teclas com tanta força que um copo com água que pusera em cima do piano começou a escorregar.Quando Elvis pegou-o,sem perder uma nota da canção,todos riram e aplaudiram-menos eu.Estava nervosa.Olhei ao redor e vi um pôster intimidativo,em tamanho natural,de Brigite Bardot semi nua,preso na parede.Ela era a última pessoa que eu queria ver,com seu corpo sedutor,lábios espichados e cabelos desgrenhados.Imaginando o gosto de Elvis em mulheres,eu me senti muito jovem e deslocada.
Levantei os olhos e deparei com Elvis tentando atrair minha atenção.Percebi que quanto menos reação demonstrava,mais ele passava a cantar só para mim.Mas não podia acreditar que Elvis Presley estava tentando me impressionar.
Mais tarde,ele pediu-me que o acompanhasse até a cozinha,onde me apresentou à sua avó,Minnie Mae Presley,Que estava no fogão,fritando bacon numa enorme panela.Sentamos à mesa e eu disse a Elvis que não estava com fome. Na verdade,sentia-me nervosa demais para comer.
-Você é a primeira garota dos Estados Unidos que encontro em muito tempo-disse ele,enquanto começava a devorar o primeiro de cinco imensos sanduíches de bacon,todos com mostarda.
-Quem é que a turma por lá está ouvindo?
Soltei uma risada.
-Está brincando?Todo mundo ouve você!

Elvis não ficou convencido.Fez-me uma porção de perguntas sobre Fabian e Ricky Nelson.Comentou que estava preocupado com a aceitação das fãs quando voltasse aos Estados Unidos.Como estava ausente há algum tempo,não aparecia em espetáculos públicos nem em filmes,embora tivesse cinco músicas nas paradas de sucesso,todas gravadas antes de sua partida.
Parecia que mal começáramos a conversar quando Currie entrou na cozinha e apontou para o relógio.Eu receara aquele momento;a noite correra muito depressa.Parecia que acabara de chegar e agora já tinha de ir embora.Elvis e eu mal começávamos a nos conhecer.Sentia-me como a cinderela,sabendo que toda a magia terminaria quando soasse o toque de recolher.Fiquei surpresa quando Elvis perguntou a Currie se eu poderia permanecer por mais algum tempo.Currie explicou o acordo com meu pai e Elvis sugeriu então que eu poderia voltar outro dia.Embora fosse a coisa que eu mais queria no mundo,não acreditava que pudesse acontecer.
O nevoeiro era tão denso na auto-estrada,durante a volta a Wiesbaden,que só cheguei em casa às duas da madrugada.Meus pais estavam acordados e quiseram saber tudo o que acontecera.Contei que Elvis era um cavalheiro,muito divertido,cantara para os amigos,eu adorara a noite...continua
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