quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A saga de um Fã de Elvis Presley

O que um Fã deve fazer para estar perto de seu idolo?
Vamos acompanhar aqui a Saga de um fã Philippe DeDeckere para encontrar Elvis...e
e assistir a este show! . . .




"Primeiro de tudo, vou fazer uma pequena apresentação. Eu vivo na Bélgica e, claro, eu sou um grande fã de Elvis.

Em 1974 eu estava fazendo pós-graduação em psicologia, aqui em Bruxelas e queria fazer algo mais, por isso decidi fazer 1 ano de estudo em psicologia nos Estados Unidos.

Eu escolhi ir para Omaha Nebraska na Universidade Creighton.

Em março 1975 eu estava de férias entre 27 (quinta-feira) e 31 de março (na segunda), um final de semana e soube que Elvis estaria em las Vegas.

Começei a pensar sobre as possibilidades de ir para Las Vegas, mas eu percebia que eu estava muito longe e que eu não teria muito tempo e nem muito dinheiro para fazer o caminho, porque terça-feira eu tinha que voltar à universidade para as aulas .

Olhei o preço do avião para ir lá, mas eu não podia pagar. Então eu consultei o horário do ônibus , mas ainda era muito dinheiro para mim e também não teria tempo suficiente para fazer a viagem.

Então eu pensei que só havia um caminho a percorrer: carona.

Mas percebí também que com um carro também era difícil porque 1700 milhas de Omaha para Las Vegas é um caminho muito longo.

Resolví apostar na sorte e como sempre tenho sorte na minha vida, eu pensei que eu poderia fazer isso.

Começei a pensar na despesa da viagem e no bilhete de entrada para o show.

Eu tinha apenas 10 dólares no bolso e na minha conta bancária o suficiente para minhas despesas pessoais até a chegada do próximo depósito dos meus pais.

Lembrei que o gerente do banco uma vez me adiantou um pagamento sem problemas.

Telefonei para ele e pedi 40 dólares de adiantamento em minha conta.

Ele me perguntou por que queria aquele valor e quando eu disse a ele que gostaria de ir para Las Vegas para ver Elvis, ele diz que eu poderia ir ao banco para pegar o dinheiro.

Como havia uma meia hora de caminhada para chegar lá e o tempo era curto eu lhe pedi para colocar o dinheiro na minha conta. Ele fez.

Olhei no mapa e fiz o meu itinerário.

Estava tudo pronto para a aventura. Meus amigos me diziam que eu era louco , que eu não conseguiria. Mas eu estava decidido.

Começei a estudar o trajeto.

Era primavera mas ainda havia neve e a estrada pelo caminho mais curto foi novamente bloqueada por bancos de neve. Por conseguinte, era completamente impossível que eu pudesse chegar.

O jeito era ir para o oeste de Salt Lake City e, em seguida, para baixo em direção ao sul até Las Vegas.

John, companheiro de classe, me deu a idéia de ir diretamente para o sul até Okhlahoma City e, em seguida, para o oeste até Las Vegas. Nesta maneira eu não iria encontrar nenhuma estrada bloqueada com bancos de neve. Jonh me falava do problema q seria a viagem.

Era um percurso mais longe, mas era a única forma possível de chegar.

Ali eu percebi que ele não estava brincando e eu o ouvia. Eu fiz um novo itinerário.

Foi neste momento às 16h45 que eu estava pronto para a grande partida.

Meus amigos me convenceram a jantar primeiro e depois propuseram me levar de carro até à entrada da auto-estrada.

Comi o máximo que pude e quando acabei derrepente uma sirene começou a funcionar.

Às 20h30 o meu amigo me propôs me levar no dia seguinte de manhã à entrada da auto-estrada, mas eu disse que queria sair imediatamente.

Às 21h eu estava na entrada da auto-estrada e eu comecei a fazer o sinal de carona.
No começo, eu esperava bem pacientemente, mas às 23h eu ainda estava lá e comecei a ter muito frio.

Eu até pensei em voltar para a universidade, mas eu queria ir até o fim.

À meia-noite um carro parou e me deu carona por 2 km até uma bifurcação.

Já era 4h da manhã chovendo e eu ainda na bifurcação.

Estava realmente cansado de esperar. Para me proteger da chuva coloquei na cabeça 2 sacos de lixo e deitei no chão.

Finalmente um caminhão parou e me levou até a seguinte cidade, Kansas City.

A sorte me sorriu neste momento, eu não queria esperar mais tanto tempo para pegar outra carona.

Sexta-feira à noite eu estava exausto e o motorista instalou dentro do caminhão uma cama de ar e eu adormeci.
Na manhã do dia seguinte o motorista me acordou e avisou-me que havia trocado de itinerário e faria outro caminho.

Eu não estava muito longe de Las Vegas. Eu continuei a pedir carona e ao meio-dia cheguei à grande cidade de dos Cassinos.

Estava 25 graus centígrados. Eu estava quente porque estava vestido com roupas quentes desde a minha partida de Omaha no tempo frio.

Eu fui para o hotel Hilton, onde Elvis estava. Fui directamente para o banco do hotel para pegar o dinheiro e comprar o bilhete de entrada.

Lá eu tive alguns pequenos problemas para retirar o dinheiro, porque eu não tinha o cartão do banco e como era sábado o meu banco estava fechado.

Eu estava no guichê para comprar o meu lugar. O ingresso custava 23 dólares e eu estava com medo porque eu tinha previsto chegar no domingo e voltar na quarta-feira e eu tinha reservado um lugar por telefone para o domingo e não para o sábado.

Elvis fez 2 shows por dia: o show das 21h, onde também serviram uma refeição e à meia-noite, onde serviram apenas algumas bebidas.

Eu tinha escolhido o show da meia-noite porque, frequentemente, Elvis fazia um show um pouco maior já que não haveria um espetáculo seguinte.

Agora que eu tinha o meu lugar, tinha que aguardar a abertura das portas que seria a às 20h para o show com jantar e às 23h para o show da meia-noite.

Enquanto aguardava comí um espaguete porque era o prato mais barato que serviam.

O Hotel possuia varios tipos de jogos caça-níqueis que se podia imaginar. tentei a sorte mas não ganhei nada.

Eu só tinha de esperar pela abertura das portas.

Às 15h eu estava de pé diante da porta de entrada e começei a longa espera.

Eu era a primeira pessoa da fila. Em Vegas muitas das pessoas são atraídas pelo jogo, então elas aproveitavam para ver Elvis, não que necessariamente fossem grandes fâs

Eu estava sempre sozinho na frente desta porta, mas isso não importava, porque eu queria ser o primeiro a entrar. Cerca das 17h as pessoas começaram a chegar.

Estava bastante nervoso, porque sei que ele iria chegar a qualquer momento. As primeiras notas de See See Ridder começaram, mas ele ainda não estava lá.

De repente, ele surge no palco como um animal na jaula atirando-se sobre sua presa, ele mergulhou em seu microfone e começou as primeiras palavras da canção.

Grandes aplausos do público. Foi divino. Eu estava sem fôlego. Ele continuou com I Got A Woman Amen tinha o hábito de terminar a música imitando um avião.

Veio em seguida, Love Me, Big Boss Man, Love Me Tender. Elvis estava muito quieto e ao contrário so show de agosto de 74. Ele parecia muito sereno e realmente em grande forma dominava suas músicas muito bem.

Ele também cantou o Wonder Of You e How Great Thou Art, minha música gospel favorita , especialmente quando ele levantva a voz para cantá-la.

Eu estava realmente muito perto do palco e eu era mesmo capaz de inclinar-me sobre ele. Eu vi Elvis cerca de 4 metros de mim.

Eu tinha uma excelente vista de todos: Elvis, os músicos e os coros. O grupo de voz masculina, o grupo feminino o Sweet Inspirations , JD Sumner e os Stamps e a solista Kathy Westmoreland.

Atrás de mim, à altura do fim das cortinas, eu havia notado um guarda-costas e eu achei que seria difícil pular para o palco.

Logo que eu me movesse em direção ao palco, ele iria notar e me impediria.
Então Elvis cantou Can't Help Falling In Love e eu ví que já era o fim do espetáculo porque ele sempre terminava seus shows com essa música e eu estava resignado que seria impossível de saltar sobre o palco.

Eu já tinha colocado de volta o meu casaco, quando de repente as cortinas começaram a se mover ,a música terminou e a cortina estava se fechando.

Em um segundo eu me atirei no palco e o guarda-costa me agarrou sem brutalidades.

Elvis evidentemente viu e vendo eles me segurarem ele disse:
"- OK, o deixe ficar!"

Aproximei-me então do Rei e devo dizer que meu coração estava batendo a 1000 na boca.

Elvis levou-me um lenço. E sob os aplausos do público com o meu troféu.

Eu estava , literalmente, no céu. Eu mantive a minha echarpe como um troféu.

Eu esperei sentado em minha cadeira, porque estava completamente atordoado e não queria sair dalí. Eu vi o rei de muito perto.

Todo mundo saiu da sala e o palco estava vazio. Elvis tinha deixado e os músicos o seguiram.

Próximo do palco tinha uma grade (fechada evidentemente) e vi o coronel Parker e o Joe Esposito, perguntei a ele (Joe) se eu poderia vê-lo apenas 2 minutos, expliquei que eu era belga e que eu vinha de Omaha de carona. Ele me respondeu que iria ver. Então ele voltou para me dizer que estava tudo bem, mas seria rápido.

Eu estava realmente em um sonho. Eu o cumprimentei.

Evidentemente, lhe disse que ele tinha feito um show soberbo e perguntei quando ele faria um tour na Europa.

Ele me respondeu que estava nos projetos e que ele gostaria de ir.

Tudo aconteceu muito rapidamente e então eu tive que abandoná-lo. Eu não me segurava mais, estava completamente atordoado.

Foi a melhor noite da minha vida.

Eu descansei em seguida em uma poltrona da sala, porque eu estava realmente exausto. Adormeci.

Era necessário pensar sobre o retorno, eu realmente não queria, mas não podia ficar mais lá também. Rodei em círculo para fixar bem a imagem do local que naquele momento era mágico.

Decidi sair porque já era a manhã de domingo. Eu refiz a carona no sentido contrário.

Próximo do meio-dia eu estava parado em um McDonald comendo um hambúrger rapidamente. Tive muita sorte pq peguei um caminhão que cruzaria de oeste para leste e ele me levou até Okhlahoma.

Foi uma longa viagem com o mesmo caminhão. Demorou mais de tempo porque o motorista do caminhão parava durante todo o tempo para descansar, mas foi uma tranquilidade para mim, e eu tb podia descansar também.

Chegando em Okhlahoma City, eu continei a pedir carona para Kansas City, tive sorte de novo. O clima foi esfriando e a neve chegando.

Cheguei de volta em Omaha pouco antes de 18h. Estava atrasado para chegar na universidade, então pedi ao motorista do caminhão para me levar até lá. Chegando lá corri para o restaurante.

Evidentemente, logo que eu cheguei lá todo mundo queria saber como tinha sido tudo e eu respondi que primeiro ia jantar pq desde a quinta-feira quando partí não fazia uma refeição completa exceto um esparguete muito pequeno no Hilton ao meio-dia de sábado e um hambúrguer no Macdonald's ao meio-dia de domingo.

Contei todos os detalhes, a viagem, o espetáculo, o salto no palco e a reunião com o rei , sempre mantendo o meu troféu no meu pescoço. Ele não assinou a echarpe mas estive com ele e isso já bastava.

Um estudante de jornalismo da universidade quis colocar a minha odisséia no jornal da universidade.

O artigo atraiu alguns jornalistas do jornal Omaha World Herald (da região) e vieram me entrevistar.

Domingo, depois do lançamento da matéria , recebi um telefonema da rádio de Omaha, que me entrevistou, por telefone.

Esta foi a minha história. E foi a melhor da minha vida. Nunca me arrependerei de ter tentado esta maratona.


Eu teria passado por tudo outra vez !
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