...-Ora,ora,o que temos aqui?-disse ele.Não falei nada.Não podia.Só tinha condição de fitá-lo fixamente.
-Elvis-disse Currie-,esta é Priscilla Beaulieu.A garota de quem lhe falei.
Trocamos um aperto de mão e ele disse:
-Oi.Sou Elvis Presley.
Depois,houve um silêncio entre nós,até que Elvis convidou-me a sentar a seu lado e Currie afastou-se.
-Está na escola?-perguntou Elvis.
-Estou.
-E está no começo ou no final da escola secundária?
Corei e não respondi,não querendo revelar que estava apenas no nono ano.
-E então?-insistiu Elvis;
-Estou no nono.
-Ele ficou confuso.
-Nono o quê?
-Nono ano-balbuciei.
-Nono ano!-exclamou ele,rindo,-Ora você não passa de uma criança!
-Obrigada-respondi,bruscamente,pois nem mesmo Elvis Presley tinha o direito de falar assim.
-Parece que a garotinha não é facil-comentou ele,rindo de novo,divertido com a minha reação.
Elvis me presenteou com o seu sorriso encantador e todo o meu ressentimento se derreteu.
Conversamos mais um pouco.Depois,Elvis levantou-se,foi para o piano e sentou-se.A sala ficou em silêncio.Todos os olhos se fixaram nele.
Levantei os olhos e deparei com Elvis tentando atrair minha atenção.Percebi que quanto menos reação demonstrava,mais ele passava a cantar só para mim.Mas não podia acreditar que Elvis Presley estava tentando me impressionar.
Mais tarde,ele pediu-me que o acompanhasse até a cozinha,onde me apresentou à sua avó,Minnie Mae Presley,Que estava no fogão,fritando bacon numa enorme panela.Sentamos à mesa e eu disse a Elvis que não estava com fome. Na verdade,sentia-me nervosa demais para comer.
-Você é a primeira garota dos Estados Unidos que encontro em muito tempo-disse ele,enquanto começava a devorar o primeiro de cinco imensos sanduíches de bacon,todos com mostarda.
-Quem é que a turma por lá está ouvindo?
Soltei uma risada.
-Está brincando?Todo mundo ouve você!
Parecia que mal começáramos a conversar quando Currie entrou na cozinha e apontou para o relógio.Eu receara aquele momento;a noite correra muito depressa.Parecia que acabara de chegar e agora já tinha de ir embora.Elvis e eu mal começávamos a nos conhecer.Sentia-me como a cinderela,sabendo que toda a magia terminaria quando soasse o toque de recolher.Fiquei surpresa quando Elvis perguntou a Currie se eu poderia permanecer por mais algum tempo.Currie explicou o acordo com meu pai e Elvis sugeriu então que eu poderia voltar outro dia.Embora fosse a coisa que eu mais queria no mundo,não acreditava que pudesse acontecer.
O nevoeiro era tão denso na auto-estrada,durante a volta a Wiesbaden,que só cheguei em casa às duas da madrugada.Meus pais estavam acordados e quiseram saber tudo o que acontecera.Contei que Elvis era um cavalheiro,muito divertido,cantara para os amigos,eu adorara a noite...continua








